Jair Bolsonaro foi eleito domingo (28) e tomará posse dia primeiro de janeiro de 2019.
Jair Bolsonaro foi eleito domingo (28) e tomará posse dia primeiro de janeiro de 2019.

Sua primeira viagem será ao Chile, cujo modelo econômico elogia. Depois irá aos EUA e Israel. Disse que é preciso solucionar a ditadura de Nicolás Maduro, na Venezuela.

Jair Bolsonaro, que foi eleito presidente do Brasil com 55% dos votos, não planeja vir à Argentina em sua primeira viagem internacional. Além disso, ele declarou em uma entrevista à TV Record, transmitida na noite da segunda-feira (29), que “é preciso solucionar a ditadura de Nicolás Maduro”, mas jurou que “não haverá intervenção em Caracas. Será pela via pacífica”. E aproveitou para questionar o PT por “admirar Chávez e Maduro”.

O presidente eleito tem um programa preciso de visitas internacionais. Primeiro irá ao Chile para se encontrar com Sebastián Piñera, depois viajará aos Estados Unidos, para se reunir com Donald Trump e, por último, pensa ir a Israel. O plano foi confirmado pelo futuro Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, em uma conversa com a imprensa na manhã de segunda-feira.

No entanto, não se sabe quando as primeiras viagens internacionais serão realizadas.

Bolsonaro deverá se submeter a uma cirurgia para retirar a colostomia. Essa operação deverá ser realizada nos primeiros dias de dezembro.

Depois, o presidente eleito deverá permanecer no mínimo 15 dias em repouso absoluto.

Isto significaria que a alta não será dada antes do dia 20 de dezembro, quase às vésperas da posse, no dia 1º de janeiro de 2019.

Quando os jornalistas perguntaram por que Santiago será o primeiro destino internacional, Lorenzoni respondeu: “O Chile é a grande referência latino-americana.”

“Quem deu certo nos últimos 20 anos, aumentou a renda de sua população, tem boa educação, gera tecnologia e hoje comercializa com o mundo todo? O Chile. Então, tem que ter humildade de ver esse exemplo com atenção.”

Entre o primeiro e o segundo turno, Bolsonaro conversou com o presidente argentino Mauricio Macri. Pouco antes, ele disse ao correspondente do jornal La Nación que tinha um profundo interesse em conversar com o chefe de Estado argentino.

Dias depois fez uma ligação telefônica à Casa Rosada. Mais tarde, em resposta a uma pergunta do Clarín, Bolsonaro afirmou que está convencido de que terá “uma muito boa relação” e de que haverá “uma ótima parceria” com o governo argentino.

No entanto, no domingo (28) após a divulgação dos resultados que deram a vitória a Bolsonaro e o consagraram como o 42º presidente do Brasil, o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, afirmou que a nova gestão terá duas urgências: reduzir rapidamente o déficit fiscal e “se abrir para o mundo para comercializar”.

Foi nesse contexto que Guedes indicou que o Mercosul não está entre as prioridades e que o Brasil não queria estar preso aos compromissos relativos à adesão ao bloco.

Lorenzoni revelou que essa ideia é compartilhada, com diversos matizes, pela equipe presidencial de Bolsonaro. Por isso destacou a abertura comercial para o mundo inteiro mostrada pelo Chile.

Essa filosofia pouco tem a ver com a visão do presidente americano Donald Trump, que, em seus primeiros tempos de governo, demonstrou um certo desprezo pelas normas internacionais que regem o comércio e uma clara tendência ao protecionismo.

O que parece ser paradigmático é a recorrência de Israel como modelo a ser repetido pelo Brasil, expressado na agora famosa frase de Bolsonaro: “Eles não têm nada, mas são tudo. Nós temos tudo, mas não somos nada”.

A admiração por esse modelo, expressada constantemente pelo presidente eleito, explica de alguma maneira que sua terceira viagem internacional seja a Tel Aviv.

Os grandes meios de comunicação brasileiros, criticados pelo presidente eleito, que considera que sua vitória aconteceu apesar deles, afirmam que o entorno bolsonarista ainda não definiu qual será a política externa do governo. E que não está claro quais serão os eixos do Brasil para se inserir em um mundo multipolar e também de alta conflitividade.

Lembram, inclusive, que nas poucas declarações sobre o assunto, Bolsonaro chegou a dizer que pensava retirar o Brasil do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Eleonora Gosman

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