“Gente como a gente”, dizem eleitores de Bolsonaro
O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com a esposa Michelle durante um culto evangélico. Seus apoiadores dizem que ele é um "homem simples". (Foto: Fernando Frazão/Agencia Brazil/dpa).

Para seus votantes, o político de extrema-direita parece um político diferente.

Ele é simples. Ele fala de um jeito que a gente entende, não com palavras de “doutor”, disse Sidney Rodrigues, que mora em Belford Roxo, no Rio de Janeiro. Assim como ele, muitos gostaram também da retórica agressiva de Jair Bolsonaro contra a criminalidade. Mas o presidente eleito está deixando de lado a imagem colérica que transmitiu durante meses: “Foi uma postura de campanha”, afirmou.

Agora Bolsonaro está em outra etapa. E embora sua relação com a imprensa esteja longe de ser fluída, ele mantém uma serenidade que surpreende, inclusive diante de perguntas incômodas. Foi como ele se mostrou na quinta-feira (1), no primeiro encontro com jornalistas após sua vitória. Com um ar informal, usou uma prancha de surf como mesa para apoiar os microfones.

Na sexta-feira (2), Bolsonaro recebeu o barbeiro e o alfaiate em sua casa e tirou fotos e gravou vídeos com os dois. Os vídeos foram retransmitidos à imprensa pelo WhatsApp de seus assessores improvisados. Sua agenda do dia concluiu com uma visita à base da Marinha na Ilha da Marambaia.

No sábado (3), o presidente eleito preferiu um programa mais popular. Passou numa barbaria de Bento Ribeiro, um bairro de classe média na zona norte do Rio de Janeiro, onde morou vários anos antes de mudar para a Barra da Tijuca. Ali se encontrou com o dono, Antônio Oliveira, emocionado com a visita do presidente eleito.

“Uma pessoa que conheço há tanto tempo, chegar aonde ele chegou…”, disse o cabeleireiro.

Jair Bolsonaro (Foto: Fernando Frazão/Agencia Brazil/dpa)
Jair Bolsonaro (Foto: Fernando Frazão/Agencia Brazil/dpa)

O “Mito”, como é chamado por seus apoiadores, tirou uma foto com os funcionários do salão. Do lado de fora, uma multidão seguia a visita.

Algo desta sequência faz lembrar cenas de 2002, após a vitória do ex-presidente Lula. Agora também muita gente comemora e procura se aproximar do presidente eleito. Nem todos são ricos ou brancos. Tem gente de todos os setores sociais e das mais variadas origens.

De outro modo não seria possível explicar os 57 milhões de votos de Bolsonaro, contra os 47 milhões de Fernando Haddad. Tudo indica que existe uma intenção de “ocupar” o lugar deixado por Lula no “imaginário popular”.

O próprio campo adversário admite essa possibilidade. O deputado gaúcho Henrique Fontana afirmou: “Bolsonaro conhece muito de política e dialoga com os mais pobres. É a primeira vez que a direita tem vínculos ativos com o popular no Brasil. Isso vai impor um esforço adicional ao campo progressista”.

Essa humildade, recentemente estreada, foi transmitida ao pastor Silas Malafaia em uma entrevista transmitida no sábado (3) pela TV Bandeirantes. ““Longe de mim querer ser o salvador da pátria…”.

E acrescentou: “Nas andanças pelo Brasil sempre disse que o país precisava de um presidente, homem ou mulher, que fosse honesto, que tivesse Deus no coração e que fosse patriota.”

Em seu novo perfil, onde a agressividade foi substituída pelo “paz e amor”, Bolsonaro deu ênfase ao seu desejo de “valorizar a família brasileira, respeitar a inocência das crianças nas salas de aula; ter uma política de enfrentamento contra a violência”. E acrescentou também sua intenção de “comercializar com o mundo pensar em sem ideologias e buscar tecnologia com as potências”.

Eleonora Gosman

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