Os desafios de Bolsonaro na Presidência do Brasil
Simpatizantes de Bolsonaro em Brasília, nesta terça-feira. (AP Photo/Silvia Izquierdo)

O novo presidente tomou posse nesta terça-feira, 1° de janeiro. Déficit fiscal, ajustes em planos sociais e agenda exterior, entre os desafios de seu mandato.

Nesta terça-feira, 1° de janeiro, quando Jair Bolsonaro se tornou o 45° presidente do Brasil, o país assistiu ao começo de um ciclo histórico que significa uma ruptura com 24 anos de governos social-democratas, que foram mais centristas ou mais esquerdistas dependendo do período.

Palácio do Planalto nesta terça-feira. (EFE/ Marcelo Sayão)
Palácio do Planalto nesta terça-feira. (EFE/ Marcelo Sayão)

Quanto pode durar e quais serão as características desse novo período?

Como é lógico, só os passos do novo líder político darão uma resposta.

No entanto, essa resposta pode demorar muito mais do que os 100 primeiros dias que o mundo considera como o lapso para que os governantes aprendam a governar.

Porque este novo governo será muito diferente dos anteriores. Para começar, seis ministérios passarão a orbitar como secretarias.

É o caso dos ministérios de Desenvolvimento e Indústria, Trabalho, Cultura, Direitos Humanos, Meio Ambiente e Planejamento. E também porque todos os políticos são novos na tarefa de dirigir um Estado.

O próprio Bolsonaro tem como único antecedente político seus longos anos no Congresso, mas sem chegar a dirigir a Câmara dos Deputados. O próprio establishment reconhece que “ele não está preparado para a função pública. E isso lhe acarretará problemas nos primeiros tempos”.

A avaliação é nada menos que do presidente do grupo Itaú, Alfredo Setúbal.

Os banqueiros e financistas estão preocupados, especialmente, com a rigidez que poderá existir nas relações com o Congresso.

“Desconfiamos da fragilidade das articulações políticas do governo Bolsonaro com o Parlamento”, disseram a Michel Temer em uma reunião no começo da semana passada. No domingo (30), o agora ex-presidente Temer explicitou publicamente esse receio ao dizer que “o Poder Legislativo não pode ser menosprezado”.

Apoiadores de Bolsonaro nesta terça-feira em Brasília (Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo)
Apoiadores de Bolsonaro nesta terça-feira em Brasília (Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo)

Armas

Para enfrentar as hipóteses “pessimistas”, Bolsonaro já anunciou uma iniciativa que foi um dos grandes compromissos da sua campanha eleitoral. Ele pretende assinar um decreto de “flexibilização” do Estatuto do Desarmamento, que impôs limites ao comércio e à posse de armas. Era uma promessa para os 55 milhões de brasileiros que votaram nele.

Fontes do futuro governo disseram que a medida foi uma sugestão do próximo ministro da Justiça, o juiz Sérgio Moro, que ficou famoso por comandar a operação Lava Jato.

O gabinete ministerial aprovou na última semana de dezembro um documento chamado Agenda de Governo para os primeiros 100 dias. De acordo com sua introdução, o dossiê está destinado a definir “ações prioritárias em cada um dos ministérios, o que permitirá a seleção da política que deverá ser entregue ao povo brasileiro”.

Semelhante a um manual de instruções para a administração pública, a agenda inclui uma das famosas frases do próximo presidente: “A verdade vai libertar este grande país e a liberdade vai nos transformar em uma grande nação. A verdade foi o farol que nos guiou até aqui e que vai seguir iluminando o nosso caminho. O compromisso que assumimos com os brasileiros foi de fazer um governo decente, comprometido exclusivamente com o país e com o nosso povo. E eu garanto que assim será. Podem ter certeza de que nós trabalharemos dia e noite para isso.”

Guedes

Alguns ministros terão um papel preponderante no famoso prazo de três meses e meio. Paulo Guedes, o homem que estará no comando da economia, é um deles. Seu objetivo principal é mostrar que está disposto a diminuir o déficit fiscal seja como for. Para ele, essa é a condição de sustentabilidade da enorme dívida pública que o governo herdará (de quase um trilhão de dólares).

Paulo Guedes (Foto: Sergio LIMA / AFP)
Paulo Guedes (Foto: Sergio LIMA / AFP)

A primeira medida de Guedes refere-se às remessas do orçamento nacional aprovadas pelo Congresso. Ele pretende ter um nível de liberdade maior para usar os fundos para destinos diferentes dos já definidos. Outro de seus objetivos é a desburocratização do Estado. Ainda mais importante é a definição dos programas sociais que serão extintos e daqueles cujos benefícios serão reduzidos.

O ministro pretende obter nesse âmbito um corte de US$ 12 trilhões. Uma das ideais é unir o “bolsa-família” – subsídio criado para os mais pobres por Fernando Henrique Cardoso -, com o seguro de desemprego.

Previdência

O grande desafio será conseguir que o Congresso aprove a reforma da Previdência, considerada chave para o equilíbrio fiscal. Nesse caso entra em jogo a habilidade de seu ministro político, o deputado federal Onyx Lorenzoni.

Netanyahu

Nesta primeira etapa, um dos grandes desafios é a orientação da política externa. Bolsonaro já deu sinais de que pretende privilegiar os governos de Israel e dos EUA. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que chegou no Brasil na sexta-feira (28) e esteve presente na cerimônia da posse, confirmou que “Bolsonaro me disse que a mudança da embaixada não é uma questão de se será feita ou não, mas de quando será feita”.

Uma pergunta que interessa ao Mercosul é o que Bolsonaro fará em relação ao bloco e à Argentina. A região é o maior mercado para produtos industriais do Brasil e, segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil, essas exportações de manufaturas geram 50.000 empregos diretos e indiretos para cada bilhão de dólares de bens brasileiros vendidos aos parceiros da região.

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