O economista Paulo Guedes com o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)
O economista Paulo Guedes com o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)

Foi o que o economista Paulo Guedes afirmou em entrevista à imprensa após a vitória de Jair Bolsonaro, no domingo (28). Ele disse que o bloco acabou sendo ideológico.

Em uma entrevista com a imprensa brasileira e internacional, entre eles o jornal Clarín, o futuro ministro da Fazenda do Brasil, Paulo Guedes, foi contundente: “A Argentina não é uma prioridade. O Mercosul também não é uma prioridade”.

“Nós temos um diagnóstico. E o plano econômico terá vários blocos. Mas no imediato, os objetivos são o ataque ao déficit fiscal e a abertura da economia”, disse Guedes.

A declaração de Paulo Guedes gerou forte repercussão na Argentina (Foto: Daniel RAMALHO / AFP).
A declaração de Paulo Guedes gerou forte repercussão na Argentina (Foto: Daniel RAMALHO / AFP).

– Como o senhor vê o Mercosul no futuro? – perguntou o Clarín.

– O Mercosul é muito restrito. O Brasil ficou prisioneiro de alianças ideológicas. E isso é ruim para a economia.

Para o futuro ministro da Fazenda de Jair Bolsonaro, «o Mercosul quando foi feito, foi totalmente ideológico. É uma prisão cognitiva».

– Minha pergunta é se o senhor acha que atualmente ele também é ideológico.

– Conosco não será, mas foi ideológico. No sentido de que você só negocia com quem tem inclinações bolivarianas.

– Mas então, o Mercosul poderia ser desmontado?

– De novo, sua pergunta está mal feita. A pergunta é: Só vou comercializar com a Argentina? Não. Só vou comercializar com a Venezuela, a Bolívia e a Argentina? Não. Nós vamos negociar com o mundo.

– Mas a Bolívia e a Venezuela não estão no Mercosul neste momento. Por enquanto, são os quatro países de sempre: além da Argentina e do Brasil, estão o Uruguai e o Paraguai. O que vai acontecer eles?

– Serão mais países, nós não vamos ser prisioneiros de relações ideológicas. Nós faremos comércio.

– Mas o Mercosul vai ser expandido? Ou vai ser reduzido?, perguntou uma jornalista brasileira.

– O Mercosul é outra parceria de alguns países como ela (a jornalista do Clarín) disse. Mas se eu quiser negociar com o resto do mundo, nós podemos?

-Então a relação com Argentina não é prioridade? – perguntou o Clarín.

– Não, a Argentina não é prioridade. O Mercosul também não é prioridade. É isso o que a senhora queria ouvir? Conheço esse estilo. A Argentina não é prioridade. Para nós, a prioridade é negociar com o mundo todo.

Jair Bolsonaro, presidente eleito.
Jair Bolsonaro, presidente eleito.

Na semana passada, o Clarín conseguiu dialogar com o atual presidente eleito Jair Bolsonaro, em uma entrevista coletiva à imprensa.

A reportagem perguntou se ele visitaria logo o presidente Mauricio Macri. Naquele momento, quando ainda era candidato, Bolsonaro respondeu: “Falei há poucos dias com o presidente Macri. E garanto que haverá uma relação excelente; será uma parceria ótima.”

Neste domingo (28), o presidente argentino parabenizou Bolsonaro pouco depois da confirmação de sua vitória no segundo turno. «Desejo que trabalhemos logo juntos pela relação entre os nossos países e o bem-estar de argentinos e brasileiros», manifestou Macri no Twitter e posteriormente ligou para o presidente eleito do Brasil.

O projeto explicitado nas declarações de Paulo Guedes aponta a levar a união alfandegária do Mercosul para uma zona de livre comércio, onde o nível de integração é menor. Isso significa, entre outras coisas, que cada país negociará níveis de tarifas com total autonomia, sem levar em consideração que pode desfavorecer algum parceiro do bloco.

Guedes disse que as primeiras medidas econômicas de Bolsonaro, que assumirá em 1° de janeiro, se centrarão no controle do gasto público. Para isso, afirmou, «precisamos de uma reforma da Previdência».

Eleonora Gosman

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